Mudanças entre as edições de "Brasiléia"

De Sexta Poética
Ir para navegação Ir para pesquisar
Linha 95: Linha 95:
 
sol lá si... dó ré mi fá
 
sol lá si... dó ré mi fá
 
<poem>
 
<poem>
saracura na manhã
+
Saracura na manhã
curiango bacurau
+
tem de noite o bacurau
tangará tem curió
+
tem rolinha e curió
 
colibri no meu quintal
 
colibri no meu quintal
 
<poem>
 
<poem>
canarinho cantadô
+
Canarinho cantadô
 
merencório uirapurú
 
merencório uirapurú
 
bemtevi tem trinca ferro
 
bemtevi tem trinca ferro
 
tico tico no fubá
 
tico tico no fubá
 
<poem>
 
<poem>
tem sofrê tem azulão
+
patativa juriti
tem nhambú tem chororó
+
tempera viola e anu
 +
seriema e pica pau 
 +
acauã murututu
 +
<poem>
 +
Tem sofrê tem azulão
 +
tem nhambú tem tangará
 
inda canta nas palmeiras
 
inda canta nas palmeiras
 
nas floresta o sabiá
 
nas floresta o sabiá
 +
</poem>
 
<poem>
 
<poem>
  

Edição das 17h03min de 3 de março de 2010

A Brasiléia, o épico das multidões!

Ela explica-se a si mesma e, se acaso não vos explicar, basta pagar uma pinga que de bom humor vós ireis entendê-la!

Introdução

Minha terra não tem métrica
Que súbita harmonia
A Brasiléia não é épica
Seja uma ode à alegria

Uma multidão de heróis
Da pátria sem fronteiras
Constrói seu mutirão
À livre moda brasileira

vamos juntos nos fazendo
ao fazer essa canção
soltando fogos, uivos, vivas
à nossa miscigenação

Povos

No princípio éramos povos
De mil nomes línguas terras
Tínhamos nossas mil fés
Lutávamos nossas mil guerras

Araweté, Ashaninka,Yanomami
Karajá, Kaiapó e Guarani
Kaiagang, Kanoê e Banawa
Há muito tempo estamos por aqui

Despertávamos o sol, a lua
Por danças e invocações
Nos contavam as cachoeiras
Segredos das estações

Por séculos aqui vivemos
Com a natureza solidária companhia
florestas e rios, montanhas e mar
muitos perigos e muita alegria

Só há pouco vimos chegar
Em monção, bandeira e missão
Os arcabuzes da lusofonia
Berrando chumbo em tom cristão

Que por Índios nos abreviaram
Logo o nome, a terra, a vida
E em grilhões nos sufocaram
A língua, a fé, a alma perdida

Primeiro chegaram portugueses
Também vieram os espanhóis
Levavam nossas riquezas
Deixavam facas e anzóis

Estados

No começo os portugueses
criaram as tais capitanias
imensas faixas da terra
foram dadas por franquia

Em algumas plantaram cana
noutras botaram café
também cavavam a terra
pra encontrar o que levar

Rios do Brasil

E esse povo tão diverso
atrás de um mundo mais feliz
foi entrando a mata adentro
subindo os rios do país

Árvores do Brasil

Sentidos

Essa terra é muito airosa
tem perfumes e odores mil
atravessando cinco séculos
formou-se o cheiro do Brasil

Pássaros

Nessa terra tem mil pássaros
cantam aqui como acolá
melodias sete notas
sol lá si... dó ré mi fá
<poem>
Saracura na manhã
tem de noite o bacurau
tem rolinha e curió
colibri no meu quintal
<poem>
Canarinho cantadô
merencório uirapurú
bemtevi tem trinca ferro
tico tico no fubá
<poem>
patativa juriti
tempera viola e anu
seriema e pica pau
acauã murututu
<poem>
Tem sofrê tem azulão
tem nhambú tem tangará
inda canta nas palmeiras
nas floresta o sabiá


==Aquarela==

<poem>
Se permitis vós a graça
De aqui pintar sua luz
Em formas multicoloridas
Nossa Brasiléia nos seduz

Ao vermelho terra intenso
Tons pastéis vem se mesclar
Ocres, sépias, liláses, ambar
No relevo a se abraçar

Céu azul indescritível
Denso sem começo ou fim
E o crepúsculo horizonte
Casa ao amarelo o carmim

Maravilha se formando
Do arco-íris nos vem brindar
Com os matizes dessa Terra
A nos conduzir e abençoar...

As aves que...

Minha terra não existe
No canto do Sabiá
Que jaz inerte e calado
Por força do estilingue

O Sabiá não sabia
Que por pura tirania
Alguem pudesse acabar
Com a sua melodia
Sem se aperceber que assim
Matava o canto, o encanto
Matava um pouco da terra
E das aves que aqui gorgeiam
E não gorgeiam como lá
E lá, onde não se gorgeia,
Foi parar o Sabiá