Mudanças entre as edições de "Brasiléia"

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Lutávamos nossas mil guerras
 
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Araweté, Ashaninka,Yanomami
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Karajá, Kaiapó e Guarani
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Há muito tempo estamos por aqui
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Despertávamos o sol, a lua
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Por danças e invocações
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Baniwa, Assurini
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Nos contavam as cachoeiras
 
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Segredos das estações
 
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Primeiro chegaram portugueses
 
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mãe da lua e acauã
 
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das aves que aqui gorgeiam
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E não gorgeiam como lá
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Lá, em terras d'além mar
 
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vive ali um povo triste
 
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Memória não morrerá.
 
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cobre verde e doura a planta
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que fermenta o caldo santo
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que nos faz endiabrados.
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Diabo e deus que acasalam
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com a cana pura e puta
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onde ceifam muitas vidas
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onde sonhos são plantados
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Edição atual tal como às 20h20min de 6 de maio de 2012

A Brasiléia, o épico das multidões!

Ela explica-se a si mesma e, se acaso não vos explicar, basta pagar uma pinga que de bom humor vós ireis entendê-la!

Introdução

Minha terra não tem métrica
Que súbita harmonia
A Brasiléia não é épica
Seja uma ode à alegria

Uma multidão de heróis
Da pátria sem fronteiras
Constrói seu mutirão
À livre moda brasileira

vamos juntos nos fazendo
ao fazer essa canção
soltando fogos, uivos, vivas
à nossa miscigenação

Povos

No princípio éramos povos
De mil nomes línguas terras
Tínhamos nossas mil fés
Lutávamos nossas mil guerras

Ashaninka,Araweté,
Yanomami, Suruí
Tupinambá, Kaapor
Karajá e Guarani

Kaiagang, Kanoê
Baniwa, Assurini
Tukano,Ticuna, Krahô
Kamayurá, Tupi

Mehinaku, Kaiapó,
Waurá, Yaualapiti
Kuikuro, Kalapalo
Xavante, Bakairi
  
Há muito estamos aqui!

Despertávamos o sol e a lua
Com danças, invocações
Nos contavam as cachoeiras
Segredos das estações

Por séculos aqui vivemos
Com a natureza solidária companhia
florestas e rios, montanhas e mar
muitos perigos e muita alegria

Só há pouco vimos chegar
Em monção, bandeira e missão
Os arcabuzes da lusofonia
Berrando chumbo em tom cristão

Que por Índios nos abreviaram
Logo o nome, a terra, a vida
E em grilhões nos sufocaram
A língua, a fé, a alma perdida

Primeiro chegaram portugueses
Também vieram os espanhóis
Levavam nossas riquezas
Deixavam facas e anzóis

Estados

No começo os portugueses
criaram as tais capitanias
imensas faixas da terra
foram dadas por franquia

Em algumas plantaram cana
noutras botaram café
também cavavam a terra
pra encontrar o que levar

Rios do Brasil

E esse povo tão diverso
atrás de um mundo mais feliz
foi entrando mata adentro
subindo os rios do país

Tietê, Paranayba
São Francisco, Urucuia
Vermelho, Uraricoera
Tocantins, Araguaia

Subindo o Buranhéim
é estranho mas vieram
No Planalto Central
certo dia eles chegaram

Árvores do Brasil

Façamos jus a nossas árvores
Tronco de nossas existências
Em seus xilemas correm os rios,
Nos seus galhos cantam pássaros,
Dos seus frutos vêm sabores
Das flores suas cores e odores
despertam os nossos sentidos...
Tem também a sombra e a beleza
E se isso não bastasse
Tem a semente que alimenta
a nossa esperança...

Se entre as suas letras
brotasse de repente um ene
floresceria o nome Brasileína
épico da nossa terra e língua

Das caravelas avistadas
balouçavam ao vento tupiniquim
verdes altas lindas e brejeiras
assim se descobriu
Pindorama a Terra das Palmeiras

Depois os próprios índios
Revelaram outro tesouro fincado no solo
O pau-rosado ou pau-brasil.
E entre Terra de Vera Cruz e outras
Pindorama virou: Terra-Brasilis, de brasa
Depois: Terra do Brasil, da brasa
Depois simplesmente Brasil! Ardente

Tudo por causa da brasileína
O corante cor-de-brasa, vermelho intenso
E pelos próximos 375 anos
Passou a colorir as roupas da nobreza
Utilidades em beleza
E até a tinta de escrever...

Quase extinta
Hoje tem dia nacional
É símbolo nacional
É protegida por decreto
Mas, poucos a conhecem...

Caesalpinia echinata tem flores-amarelas
Que surgem no início da primavera
Tem espinhos no tronco acinzentado,
Por isso echinata, morfologia vegetal, não importa...
Suas pequeninas folhas balançam ao vento mais leve
Hoje faz música em violinos
Seu dia é três de maio – Pau-brasil

E assim começou a história do nome Brasil
A exploração da Terra-Brasilis e o
Espaço no Brasiléia destinado as
Árvores do Brasil

Com sua graça e beleza
Que desfilem e deslizem por nossos
Blocos, grafites e papéis
As outras tantas nossas árvores do Brasil
....

Sentidos

Essa terra é muito airosa
tem perfumes e odores mil
atravessando cinco séculos
formou-se o bodum do Brasil

Ibéribárbaros e mouros
Negros d'Angola ou Dagomé
com Flamengos e Italianos
Franceses e seu cammembé

Crilouros e judárabes
orientupis, tapuias,
cabindas, tropicanos
todo mundo que quiser

mestiço, miscigenado
no raro caldo racial
desta bela e nobre raça
chamada de pau-brasil

Pássaros

Onde canta o Sabiá.jpg

Nessa terra tem mil pássaros
cantam aqui como acolá
melodias sete notas
sol lá si... dó ré mi fá

Saracura na manhã
colibri no meu quintal
tem rolinha e curió
tem de noite o bacurau

Canarinho cantadô
merencório uirapuru
bemtevi e trinca ferro
tico tico no fubá

Tem sofrê tem azulão
tem nhambú tem tangará
inda canta nas palmeiras
nas floresta o sabiá

Patativa juriti
tempera viola e anu
pintassilgo e pica pau
acauã e murututu

Seriema caburé
cambaxirra jaçanã
tiê sangue alma de gato
mãe da lua e acauã

Irerê meu passarim
no sertão do cariri
asa branca e curiango
tem jandaia e tem saí

Tem pipira e anambé
iratauá e tiziu
bicudo e corruíra
Pindorama, céu de anil

Aquarela

Se permitis vós a graça
De aqui pintar sua luz
Em formas multicoloridas
Nossa Brasiléia nos seduz

Ao vermelho terra intenso
Tons pastéis vem se mesclar
Ocres, sépias, liláses, ambar
No relevo a se abraçar

Céu azul indescritível
Denso sem começo ou fim
E o crepúsculo horizonte
Casa ao amarelo o carmim

Maravilha se formando
Do arco-íris nos vem brindar
Com os matizes dessa Terra
A nos conduzir e abençoar...

As aves que...

Minha terra inda resiste
no encanto de um Sabiá
cantava alegre em seu swing
mas jaz inerte e calado
pela força do estilingue

O Sabiá mesmo sábio
não sabia que alguém
por absurda tirania
pudesse mesmo acabar
com sua linda melodia

E o outro sem perceber
que assim abafava o canto,
acabava com a beleza
matava um pouco do encanto
das aves que aqui gorjeiam
E não gorjeiam como lá

Lá, em terras d'além mar
nem mais florestas existe
onde não mais se gorjeia,
vive ali um povo triste
nostálgico da natura
contido a cantar seu fado

Foi levado a um Museu
pra toda gente estudar
empalhado olho de vidro
como um símbolo emplumado
Pindorama, das palmeiras
na vitrine o Sabiá

Memória não morrerá.

Doce cana


A cachaça pinga forte
no alambique bronzeado
cobre verde e doura a planta
que fermenta o caldo santo
que nos faz endiabrados.

Diabo e deus que acasalam
com a cana pura e puta
onde ceifam muitas vidas
onde sonhos são plantados
onde a morte nasce em leiras
onde o sol brilha dobrado.