Ipê Mulher
<poem>
Cavucos insistentes em um lugar qualquer A escavadeira bruta não rompe o solo Temo não concluir o signo da mulher Olho em volta em busca de consolo
Que faço nessa montanha, peito molhado, cansado Busca de sonho, busca de ser e existir, busca... O esforço é enorme, suor de alma, evidenciado Ainda que a vista seja longa, o pensar ofusca
Uma gota escorre da testa. Arde e turva meus olhos Ainda assim, perto de mim, uma mancha de solo fresco A cavadeira retira rápido a terra a ser devolvida No buraco exposto da terra ferida, coloco meu afresco
Um muda de ipê dourado desejando que adulta, grite Porque sua beleza não se resume nos modos do ver Flores amarelas gritam no coração de quem admite E coração escuta mais do que se pode aperceber
Feita a obra, terra devolvida, ferida sanada Obra entregue com feitio de mulher, plantada! Guardo a escavadeira. Nas mãos, marca ralada Viro as costas e desço trilha. Obra terminada!